quarta-feira, 18 de junho de 2014

"embarquei minha filha no navio
e disse, minha filha vai
disse, minha filha vai descobrir
o que há do outro lado do mar
embarquei e disse, vai
minha filha, descobrir o que há
que não se pode contar
disse, vai e olha com teus olhos
o que amor nenhum pode detalhar
vai, minha filha, sonhar
e conhecer o melhor do mundo para melhor navegar
disse, vai, minha filha
atravessar as fronteiras e encontrar
o que existe do lado de lá, eu disse
vai, que eu fico te esperando aqui
minha filha, eu fico te aguardando
eu disse, vai que eu guardo teu lugar" 

(Martha Medeiros; 2011: 121-122)

sábado, 12 de abril de 2014

hoje eu sonhei tão alto
que as aves na minha janela pousaram
e pediram que eu sonhasse mais baixo
porque elas lá em cima voavam

(Martha Medeiros)
quando chegar aos 30
serei uma mulher de verdade
nem Amélia nem ninguém
um belo futuro pela frente
e um pouco mais de calma talvez

e quando chegar aos 50
serei livre, linda e forte
terei gente boa do lado
saberei um pouco mais do amor
e da vida quem sabe

e quando chegar aos 90
já sem força, sem futuro, sem idade
vou fazer uma festa de prazer
convidar todos que amei
registrar tudo que sei
e morrer de saudade

(Martha Medeiros)

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Os seis mais

Recentemente, me deparei com um desses desafios da internet que pedia para fazer uma lista com os dez livros que mais me marcaram e, ao lado dos títulos, escrever um breve resumo da obra e a justificativa da eleição. Na hora pensei que pudesse ser uma boa brincadeira, mas logo depois desisti, pois, além de não conseguir eleger somente dez livros (obsessão-por-livros-mode-on), nunca conseguiria descrevê-los em poucas linhas (assumo meu lado prolixo). Por esta razão, decidi fazer aqui, pelo menos não terei que seguir regras e muito menos quantidade de linhas!!! :)
Em tempo, não seguirei uma ordem de importância, logo, as posições serão escolhidas aleatoriamente, a medida que me lembrar dos títulos e dos autores. também não escreverei somente um post, seis livros por vez é uma boa média para não ficar grande demais, nem chato demais.
01) Ensina-me a viver (Colin Higgins): descobri este livro depois de assistir a peça homônima; na verdade, eu gostei tanto da peça que duvidei que o livro pudesse acompanhá-la... Resumindo, o livro é tão bom quanto a peça! Já reli algumas vezes e, a cada nova leitura descubro novas coisas e fico cada vez mais encantada com a história de Maude e Harold: a mudança na trajetória deles, as diferentes visões de mundo, o amor e as amarras sociais que nos prendem e nos sufocam, nossas decisões egoístas, nossas escolhas altruístas, os ensinamentos, os aprendizados...
02) Memórias de minhas putas tristes (Gabriel García Marques): sei que é covardia falar de García Marques, sou completamente apaixonada por ele! A simplicidade (e complexidade) de suas histórias fazem o tempo parar (literalmente) e nascer o abandono quando o livro acaba... Este livro é simplesmente lindo! Fala de amor, de escolhas, de erros, acertos e, sobretudo, das surpresas que a vida pode nos reservar quando pensamos que já sabemos de tudo, e que temos completo domínio sobre ela (também já reli algumas vezes, mania besta...)
03) De olho nas penas (Ana Maria Machado): é uma característica pessoal, mas não gosto de me sentir obrigada a fazer absolutamente nada! Li este livro, pela primeira vez, na oitava série e ODIEI, é claro! Mas, depois de alguns anos reli, com mais carinho, e me dei conta que ele influenciou minha escolha profissional, apesar de não ter tido consciência disso... A narrativa pode ser considerada complexa para uma literatura infanto-juvenil, mas planta sementes que podem ser promissoras no futuro, ela fala de arranjos familiares, ditadura, relações políticas, exploração, guerras, altruísmo, multiculturalismo, etnicidade... Enfim, ele me fez, pensar, refletir, pesquisar e estudar sobre as penas DO MUNDO!
04) Dom Casmurro (Machado de Assis): este é mais um da categoria "obrigação de ler". Também tive que ler na escola, e mais uma vez, sofri para fazer isso (principalmente, porque tinha que fazer um trabalho para nota). Novamente, mudei de opinião após reler por livre, e espontânea, vontade! Machado de Assis dispensa elogios, mas a forma com que ele conduz esta narrativa é fantástica! Até hoje eu penso que Capitu não traiu Bentinho e que o Dom Casmurro é um louco ciumento que ver chifre em cabeça de cavalo.
05) O pequeno príncipe (Antoine de Saint-Exupery): sim, sou preconceituosa em relação a livros! Sim, ouço opinião alheia! Sim, cresci ouvindo que esse livro era muito fútil e resposta clichê para miss... Mas, isso mudou quando, depois de adulta, li pela primeira vez e descobri que ele é tudo, menos fútil! Leitura difícil, até... E quem diz, que ele é superficial, simplesmente não conseguiu entender e desistiu de fazê-lo! Reli duas, três, quatro, dezenas de vezes... Já discuti em sala de aula com estudantes do ensino médio... E a cada nova leitura, descubro metáforas escondidas e sou levada a interpretações inéditas...
06) Poesia reunida (Martha Medeiros): além da declaração acima, também tenho que confessar que receio unanimidades. Quando muitas pessoas falam de um autor, tenho medo de criar expectativas e me frustar depois... Há milhares de pessoas no Facebook que escrevem citações de Martha Medeiros, e isso me assustou muito... nunca tinha lido absolutamente nada dela (nem artigos no Jornal A Tarde), por pura desconfiança desta repercussão nas redes sociais, e para minha (boa) surpresa, ela é muito boa! Li o livro em duas horas e fui buscando outros, outros e outros... Ela consegue escrever de forma simples, bela e instigante... virei fã! mas, ainda não postei nada dela no facebook,rs

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Porque (não) escrever

Reconheço que tenho andado um pouco afastada deste blog (há tempos que não posto nada de minha autoria, nem mesmo fotografias...), no entanto, o motivo que me fez criá-lo, assim como meu olhar, ao mesmo tempo encantado e questionador, sobre a realidade ao meu redor ainda permanecem. Confesso que a razão para não escrever não está relacionada com a falta de assunto, aliás, temas não faltam; basta apenas ligar a televisão, ouvir o rádio, ler o jornal, olhar pela janela ou, simplesmente, respirar! Também não me falta vontade de escrever, longe de ser uma obrigação, o momento de concentração em frente a uma folha em branco me deixa feliz e realizada. Tampouco não escrevo por falta de organização dos pensamento em relação aos acontecimento diários - como disse, meu senso crítico e questionador continuam mais fortes do que nunca! Poderia listar uma vasta lista de motivos que não me fizeram abandonar este blog! Na realidade, nem eu sei os motivos que provocaram este afastamento, mas o fato é que agora, como todo bom filho, retornei a esta casa! ;)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Eclesiastes 3:1-22

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?
Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.
Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;
E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.
Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.
O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.
Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade.
Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.
Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais.
Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.
Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.
Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?
Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?"